segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pobres dos passageiros

Há poucos dias eu discuti aqui um pouco da construção da cidadania, a propósito de dois casos emblemáticos (a decretação da prisão do governador do DF e a condenação do assassino do ciclista Pedro Davison) que envolveram o Poder Judiciário. Pode ter ficado a impressão de que a cidadania (ou a falta dela) está associada unicamente à atuação da Justiça. Não é assim. A cidadania se constrói também com as atitudes simples do dia a dia.

Cidadania tem a ver com o respeito ao outro e ao coletivo. O trânsito proporciona um ambiente muito rico para a promoção da cidadania. Ou para o desrespeito a ela, como no caso do flagrante a seguir, captado na parada de ônibus próxima à Casa Thomas Jefferson, na via L2 Norte de Brasília. Na aerofoto abaixo, vê-se a instituição na parte interior esquerda. Logo a seguir, um recuo para a parada de ônibus, que tem um abrigo na extremidade porterior.


O abuso vem de motoristas que não respeitam as prioridades de passageiros de ônibus e usam o recuo como vagas gratuitas para estacionamento. A tal ponto que os passageiros têm que abrir mão de usar o abrigo, de modo que possam ver os ônibus e ser vistos pelos seus motoristas. Na foto abaixo, a passageira espera o ônibus em área já além do recuo


Poucos minutos depois da foto acima ser tirada, chegou um ônibus do qual outra passageira foi obrigada a descer na pista.


É claro que a presença de fiscalização ajudaria a garantir os direitos dos passageiros. Mas não seria muito mais cidadã uma sociedade cujos membros respeitassem os direitos uns dos outros simplesmente porque todos têm direitos, independentemente de terem carros?
Postar um comentário