domingo, 2 de novembro de 2008

Sobre os salários dos agentes de trânsito

Luís Riogi Miura, ex-diretor do Detran-DF, está aposentado como funcionário de carreira do órgão. Mas nunca deixou de oferecer sua valorosa contribuição à causa do trânsito cidadão e seguro, seja no Distrito Federal, seja nos muitos lugares por onde já passou. Discreto, foi convidado a ser um dos autores deste blog mas preferiu colaborar apenas na forma de comentários. Postou um deles ontem, para o qual eu tomo a liberdade de chamar a atenção do leitor (clique aqui para lê-lo).

O que o comentário de Miura desnuda é a insustentabilidade da proposta da criação da CMT, triste e subservientemente aprovada pela Câmara Legislativa do DF em regime de urgência (portanto sem discussão nas comissões por onde deveria ter tramitado) depois de ter sido mantida por meses e meses longe dos olhos da população. Uso o termo 'insustentabilidade' porque a noção mais aceita, nos dias de hoje e nas mais diversas áreas de conhecimento, para o adjetivo 'sustentável' associa-o àquilo que se faz hoje sem prejudicar as futuras gerações.

Ora, conhecendo a história como nos conta Miura, é óbvio que daqui a alguns anos os fiscais da CMT farão jus a várias das mesmas complementações salariais que os agentes do Detran recebem hoje (e.g. adicionais de periculosidade, de trabalho noturno, horas extras), por causa da similaridade das atividades. É de se esperar também que, a despeito de serem regidos pela CLT, os fiscais também terão penduricalhos criados pelo governo para fazer frente às reivindicações da categoria.

Que ninguém se surpreenda, portanto, se daqui a poucos anos algum governante propuser a criação de uma empresa de fiscalização de trânsito para viabilizar a atividade, porque os cofres do GDF não poderão suportar a contratação de mais marajás para a CMT...
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