quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fluidez às custas da falta de segurança

Transformar acostamentos em faixas de rolamento não é, definitivamente, uma política responsável. A notícia abaixo (publicada originalmente no portal do Correio Braziliense) é uma evidência disso.

Mudanças recentes em duas vias do DF causam polêmica

Rodolfo Borges

Publicação: 29/07/2009 08:09 Atualização: 29/07/2009 10:01


O motorista brasiliense ainda não se acostumou às mudanças recentes em duas vias do Distrito Federal. A reforma da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) deve demorar para ser entregue - por falta de recursos -, mas a pista já perdeu alguns retornos para melhorar o tráfego. Contrariados, motoristas apressados insistem em inventar desvios pelo canteiro central. O problema é outro no trecho da DF-025 que liga o Núcleo Bandeirante ao balão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Lá, o acostamento virou uma terceira faixa, com a anuência do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), expondo os motoristas a riscos.

 - (Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press)

"Optamos por aumentar a capacidade da pista", explica o diretor-geral do DER-DF, Luiz Carlos Tanezini. Os benefícios para a circulação mostraram seu contraponto no início desta semana. Na segunda-feira, a costureira Maria Lúcia da Silva Sousa, 50 anos, morreu em acidente na faixa que, antes do recapeamento, servia de acostamento. Ela estava no banco de trás de um Monza que, parado no antigo acostamento, com problemas mecânicos, acabou atingido por trás por uma caminhonete. "Por lei, uma rodovia de três faixas pode dispensar o acostamento", justifica Tanezini.

É permitido, porém, inadequado, ressalva o professor Paulo César Marques, especialista em trânsito da Universidade de Brasília (UnB). "Dispensar o acostamento é um risco alto. E, nesse caso, falamos de uma via que tinha o acostamento. As pessoas costumavam circular por ali contando com ele", completa.

Vias expressas sem acostamento são comuns na Europa, mas requerem um monitoramento intenso para evitar acidentes. "As sinalizações têm de ser dinâmicas e não temos estrutura para tanto", diz o professor.

Retornos

Com o acréscimo de uma faixa às duas que já existiam na Epia, o DER decidiu diminuir o número de retornos, também para melhorar a circulação. Mas a medida não tem sido bem-aceita por quem circula na via. "Antes, quem saía da Asa Norte já podia pegar um retorno. Agora, é preciso fazer a volta lá na frente", lamenta o motorista Airton de Souza, 42, que transita diariamente pelo local.

Não é raro encontrar veículos fazendo retornos irregulares (1)pela Epia. Eles transitam pelas passagens de brita feitas para as máquinas que trabalham na obra ou por caminhos de terra criados pelos próprios infratores. Ontem, a reportagem flagrou três veículos cometendo a infração em menos de 10 minutos.

A depender das expectativas do diretor-geral do DER, os motoristas terão de se acostumar com a redução dos retornos. "A meta é que eles sejam feitos nos viadutos da Epia. Por enquanto, talvez fique um ou outro, mas eles devem sumir progressivamente, e não apenas na Epia", planeja Tanezini. Os planos para a Linha Verde da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) também preveem a abolição de retornos, que causam retenção e são responsáveis pela maioria dos acidentes em pistas rápidas.

As mudanças da Epia devem demorar mais do que o planejado para serem entregues. Segundo Tanezini, R$ 32 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal ainda não foram repassados ao DER, que toca a obra por conta própria. Com isso, o término da duplicação, que estava marcado para o fim do mês, foi adiado. "Ainda não trabalhamos com um novo prazo", diz Tanezini.


1 - INFRAÇÃO GRAVÍSSIMA
Retornar em local proibido é infração gravíssima, que rende sete pontos na carteira do motorista e multa de R$ 191,54. Esse tipo de infração é o sétimo mais frequente no DF, com 5.438 multas registradas em 2008, segundo levantamento do Departamento de Trânsito (Detran).

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