domingo, 19 de julho de 2009

Sem integração

Maira Carvalho (muito interessantes os blogs que você acompanha) sugere o tema da falta de integração no transporte coletivo de Brasília para um comentário aqui. "Por que não tem um bilhete único ainda?", pergunta ela.

Aspectos institucionais da operação de transporte coletivo não estão exatamente no foco de meu objeto de pesquisa, mas ainda assim vou arriscar um palpite. Diria que há dois tipos de resposta para a pergunta.

O primeiro, muito usado por sucessivos governos, recorre à complexidade do sistema e às especificidades das ocupações territoriais do Distrito Federal para justificar essa espécie de Idade da Pedra em que vivemos aqui. No mínimo, é a resposta dos preguiçosos - ou será que a complexidade de Brasília é maior do que, digamos, a de Paris ou Londres? Ou de Bogotá, para não ficarmos só no Velho Continente?

A resposta que considero mais realística, porém, tem a ver com a omissão deliberada - e portanto criminosa - do Estado e a consequente entrega dos serviços de transporte público no Distrito Federal à sanha dos caçadores de lucro fácil. Por anos a fio, predomina por aqui a visão de que o transporte é matéria de que as leis de mercado são capazes de dar conta. O resultado é que os serviços ficaram divididos entre alguns 'donos', competindo desreguladamente entre si à revelia das reais necessidades dos cidadãos.

A integração (tarifária e operacional) depende fundamentalmente da articulação institucional entre todos os modos e serviços, sob controle de um ente público (mesmo que não estatal). Infelizmente, ainda estamos muito longe disso aqui em Brasília.
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